Christophe Coulouvrat, um emoldurador engajado
Emoldurar uma obra de arte serve tanto para protegê-la quanto para destacá-la. Mas nem todas as soluções são iguais.
Depois de uma primeira carreira como chefe de uma agência de viagens de negócios, Christophe Coulouvrat mudou radicalmente de rumo, dando prioridade à sua paixão pela arte – ele pinta e desenha –, ao seu interesse pelo trabalho com materiais (madeira, vidro, papelão…) e ao seu lado criativo. Ele defende uma visão exigente da sua profissão e compartilha aqui conselhos e boas práticas tirados da sua experiência (podcast gravado em seu ateliê em Lyon, disponível online na íntegra).
Quais são as tendências atuais em termos de molduras?
O que mais se usa para telas continua sendo a moldura americana, um formato em L onde a gente coloca a peça pra dar mais profundidade. Esse tipo de moldura destaca a obra e, ao mesmo tempo, a “enquadra”, dando um toque de valor. Existem várias variantes, não apenas em preto e branco. Pode-se ter uma moldura com um belo revestimento, uma escada… Atualmente, também há uma tendência para molduras um pouco mais maciças. Acho particularmente interessante associar molduras barrocas ou esculpidas a obras de arte urbana.
Além da estética, quais são, para você, os pontos importantes de uma moldura?
A conservação. A moldura existe para valorizar a obra, mas também para protegê-la. Quando um artista vende uma obra e um colecionador a compra, ela precisa resistir ao tempo. O segredo está na qualidade dos materiais, tanto da moldura, claro, quanto do suporte. Eu só uso cartões laminados – 100% algodão –, tingidos na massa, sem ácido e sem lignina, que garantem a conservação ao longo do tempo. A reversibilidade, ou seja, a possibilidade de remover a moldura sem danificar a obra, também é importante.
Uma moldura de alta qualidade ajuda a valorizar a obra?
Claro que sim! Acho essencial que a moldura seja tão única quanto a obra que ela acompanha, que faça parte integrante dela. A moldura não deve ser vista necessariamente como uma despesa, mas como um investimento. É claro que uma moldura personalizada tem um custo, mesmo que tudo dependa das escolhas, mas a diferença de qualidade é perceptível.
As obras de arte urbana apresentam desafios específicos para um moldureiro?
Para mim, cada obra é diferente. Como geralmente são obras bem coloridas, acho legal dar um toque especial de cor na moldura para destacá-las. Outro ponto é que os artistas urbanos usam uma grande variedade de suportes, alguns deles novos. A cada vez, tenho que me adaptar. Por fim, dependendo da técnica (spray, acrílico, colagem…), é preciso ter cuidado para que o vidro não entre em contato com a superfície.
A escolha do vidro é importante?
Sim. Entre uma obra emoldurada com vidro normal e outra com vidro antirreflexo, a gente automaticamente olha para a segunda. Além desse tratamento, é preciso prestar atenção à proteção UV. Algumas peças delicadas precisam de proteção máxima – até 99% – contra a luz UV. Tive o caso de uma obra feita com caneta Bic para a qual um emoldurador colocou um vidro de qualidade, com tratamento antirreflexo e proteção UV de 70%. Após vários anos de exposição direta à luz do dia, todos os traços desapareceram! O vidro é adaptado ao orçamento, mas também às condições de exposição e à fragilidade da obra.

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© Arnaud Hauteroch


