eBay Live: os leilões entram em cena

Propor uma nova forma de comprar (e vender) arte: essa é a ambição da plataforma americana, que está lançando na França seu formato de Live Shopping, especialmente voltado para o mundo da arte.

Depois de uma inauguração em grande estilo no dia 29 de janeiro, com um evento dedicado a cartões colecionáveis, a plataforma americana lançou no sábado, 8 de fevereiro, às 18h, seu primeiro Live Shopping dedicado à arte, em parceria com a galeria Montorgueil. A seleção contava com mais de 80 obras assinadas por cerca de 50 artistas urbanos, incluindo Lorem, Le D., Tegmo, Tom Geleb, Skio… Será que esse novo formato de venda ao vivo, que já foi assistido por 16% dos franceses (e mais da metade deles fez uma compra, segundo um estudo do IFOP), vai revolucionar o mercado de arte? Talvez não, mas ele abre, sem dúvida, um novo canal para os profissionais (o eBay já conta com mais de 20.000 vendedores profissionais) e permite atrair um novo público entre os 134 milhões de usuários no mundo e os 10 milhões de visitantes mensais no site francês. A diretora-geral do eBay, Sarah Tayeb, e Alexandre Boissenot, responsável por esse serviço, estão, de qualquer forma, convencidos disso.

Qual é o papel da arte no eBay hoje em dia?
Sarah Tayeb:
Tentamos contribuir para a democratização desse mercado, que está mais aberto às vendas online hoje do que há 20 anos. A categoria “arte e colecionismo” faz parte do DNA do eBay desde o nosso lançamento; é uma prioridade para nós, tanto na França quanto no resto do mundo. A venda online é, sem dúvida, menos intimidante do que os canais mais tradicionais. Também temos a intenção estratégica de oferecer obras a preços acessíveis. E observamos um interesse acentuado dos atores do mercado de arte, com exemplos como a prestigiada galeria francesa Perrotin.

E quanto à Arte Urbana?
Sarah Tayeb:
Somos uma plataforma generalista onde todos os estilos, todas as épocas e todos os tipos de obras estão representados. Não destacamos especificamente a Arte Urbana, mas acho que há uma afinidade muito forte entre esse movimento e o nosso público, que conta com muitos jovens – a maioria dos colecionadores no eBay tem menos de 35 anos.

Por que lançar o Live Shopping agora?
Sarah Tayeb:
Fizemos uma primeira experiência, chamada Live by eBay, em 2022, que mostrou o início de um interesse do público por esse formato. Hoje, a solução está consolidada, já deu certo nos Estados Unidos e o mercado está mais maduro. A pesquisa IFOP que fizemos mostra que 31% dos franceses conhecem ou já ouviram falar do Live Shopping. No que diz respeito à arte, e mais especificamente à Arte Urbana, há uma complementaridade natural entre as expectativas dos apreciadores, principalmente dos novos colecionadores e dos que estão comprando pela primeira vez, e o Live Shopping. É possível ver as obras, discutir sua história, ter uma forte interação com o vendedor e, às vezes, com os artistas.
Alexandre Boissenot: Estamos extremamente orgulhosos de que a França seja pioneira no Live Shopping no segmento de arte. É uma oportunidade de comprar de forma diferente, mas também de reunir as pessoas em torno de sua paixão. Para os vendedores, é um novo canal, uma oportunidade de faturamento adicional, sem prejudicar seus negócios já existentes. Estamos realmente construindo algo novo, que pode ser o início de uma revolução no mercado de arte.

Quais são as vantagens do Live Shopping?
Alexandre Boissenot:
As vendas online tradicionais são um pouco estáticas, sem movimento. O comprador em potencial pode ver fotos e um texto de apresentação das obras, às vezes assistir a um vídeo, ler os comentários sobre o vendedor, mas isso continua sendo pouco interativo. Com o Live Shopping, nossa aposta é oferecer uma experiência que seja ao mesmo tempo educativa e inspiradora, com um toque de “show”, permitindo uma troca direta entre o apresentador e a comunidade. Os compradores podem fazer perguntas, interagir com o apresentador e, às vezes, com o(s) artista(s) presente(s). Isso é algo que nem os leilões tradicionais nem mesmo as galerias oferecem. A ideia é propor um “espetáculo” em torno da venda, para criar um clima e uma conexão emocional com o público, que pode estar lá para comprar… ou não. É também uma diferença em relação às casas de leilão e às galerias, onde às vezes a gente é meio que pressionado a comprar. Com o Live Shopping, todo mundo pode se conectar só para descobrir obras e artistas que nunca teria visto de outra forma, só para se divertir; e, quem sabe, tentar a sorte, especialmente com lances iniciais a partir de 1 euro.

Por que lançaram o primeiro live artístico dedicado à Arte Urbana?
Alexandre Boissenot:
Como disse a Sarah, existe uma afinidade natural entre a Arte Urbana e esse formato, que permite destacar artistas originais, obras exclusivas e contar uma história. A galeria Montorgueil é um agente disruptivo que quer democratizar o acesso à arte e quebrar os códigos de um mercado discreto e muitas vezes elitista. Artistas como Lorem estão alinhados com essa visão. Eles também quebram os códigos ao manterem uma forte presença nas redes sociais, animando sua comunidade e compartilhando sua arte com milhões de pessoas.

Como vocês selecionam os vendedores que podem oferecer o Live Shopping?
Alexandre Boissenot:
Esse formato é reservado a vendedores profissionais, porque os compradores precisam de conhecimento especializado, confiança e segurança. Entre aqueles que vamos selecionar para as transmissões ao vivo, estão, em primeiro lugar, os vendedores que já estão na plataforma e têm certa notoriedade. A relação entre a plataforma e seus vendedores é um dos grandes pontos fortes do eBay. E há grandes nomes no mercado que vamos buscar. Em um setor diferente da arte, esse é o caso, por exemplo, da Monnaie de Paris. O que observamos nos Estados Unidos é que os melhores nas transmissões ao vivo não são necessariamente os maiores vendedores da plataforma. É preciso saber dar um show, mas também animar a comunidade. É claro que estamos aqui para apoiá-los, mas nem todo mundo se sente à vontade para falar em público e viralizar. Uma venda ao vivo não é nada parecida com uma venda tradicional.

Qual é, na tua opinião, o segredo do sucesso no Live Shopping?
Alexandre Boissenot:
Meu primeiro conselho é não improvisar: prepara bem a tua narrativa, testa as câmeras, a iluminação e a visibilidade. Não há barreiras técnicas, tem gente que faz isso muito bem se filmando com o iPhone. Mas, se a gente quer que dê certo, tem que ser o mais profissional possível. Além da qualidade do apresentador e do programa como um todo, o que importa é a regularidade. Estamos falando de construir uma comunidade, de pessoas que voltam, que não compram necessariamente todas as vezes, mas que conversam com o apresentador e com os artistas. É essa interação que é mágica no ao vivo. É como uma galeria que só abrisse um dia de vez em quando, não daria certo. A experiência mostra que os vendedores mais bem-sucedidos são os mais assíduos.


A aposta da galeria Montorgueil deu certo

82 peças originais de pouco mais de 50 artistas em torno do tema do Dia dos Namorados, 6 obras com lances a partir de 1 euro: para este primeiro Live Shopping artístico que ele organizou – e apresentou em parceria com a instagrammer Pauline Loeb –, Jérôme Le Nouen enfrentou um verdadeiro desafio. Uma experiência bem-sucedida para o galerista.

O que te atraiu no Live Shopping?
Primeiro, esse lado superinovador. Foi uma estreia, e até mesmo uma estreia mundial. O eBay nunca tinha organizado um Live Shopping com uma galeria, em nenhum país! E esse formato vai ao encontro do que buscamos na Montorgueil: democratizar a arte e torná-la acessível ao grande público. Podemos apresentar novos artistas e seus trabalhos com, para quem quiser, a emoção de um leilão em ritmo alucinante. Tudo acontece muito rápido: em média, 2 minutos e 30 segundos por peça. É divertido para o grande público, algo entre o “Affaire Conclue”, o “D’Art d’Art” e as vendas por TV [risos].

Você acha que esse formato vai pegar?
Tem um público inteiro, principalmente no mundo da arte de rua e da arte urbana, que tem dificuldade em entrar numa galeria ou que não se sente à vontade na Artcurial. Conheço muito bem o mundo das casas de leilão, é complexo, tem muitas regras, taxas, aquele lado imponente do leiloeiro com seu martelo… Aqui, estamos diante de algo muito mais acessível. Há 20 anos, a gente se perguntava se a internet iria encontrar seu lugar no mercado de arte. Hoje, tem uma nova geração de colecionadores chegando e que está familiarizada com esses formatos.

Qual foi o elenco desse primeiro Live Shopping? Primeiro,
escolhi, entre os artistas da galeria, aqueles que estavam disponíveis e capazes de criar obras originais com o tema do Dia dos Namorados. Depois, todos aqueles com quem eu tinha vontade de trabalhar. É claro que faltam muitos! Também rolaram encontros legais com artistas cujo trabalho eu curto, mas com quem eu nunca tinha tido a chance de colaborar. A ideia era ter uma oferta dentro da mesma faixa de preço estimada, menos de 1.000 euros.

Você tá satisfeito com o resultado?
A gente não sabia o que esperar, tanto em termos de público e participação quanto de vendas. Passamos de 5.000 visitantes no total, e nunca tivemos menos de 250 a 300 pessoas conectadas ao mesmo tempo. Alguns ficaram durante todo o show, ou seja, 3 horas… o que é muito tempo [risos]. No final, arrecadamos 35.000 euros durante o live e 8.000 no after-show, sem contar as pessoas que entraram em contato comigo depois. No total, vendemos mais de 90% das obras expostas. Quanto às peças com preço inicial de 1 euro, todas foram vendidas acima da estimativa. E o Lorem arrasou: o quadro dele de 40 x 40 cm, à venda no District13 por 950 euros, foi vendido por 3.300 euros! Além do aspecto financeiro, o essencial era curtir o momento. Muitos me disseram ou escreveram: “Não compramos nada, mas adoramos”. Foi uma experiência incrível!

E agora?
A julgar pelas redes sociais, o público quer mais. Fechamos um acordo para um evento por mês, com um grande show temático e uma ampla seleção de artistas a cada três meses. O próximo será em junho, novamente com a Pauline, com uma temática que ainda não foi definida. Para os Live Shopping mensais, estou pensando em formatos diferentes, mais focados em um encontro mais aprofundado com um único artista.

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