Mari Pavanelli: Entre o carinho e a ausência

Tem exposições que a gente observa e outras que nos observam de volta. Com “Entre a afeição e a ausência”, Mari Pavanelli não expõe apenas telas: ela abre um espaço interior. Artista brasileira nascida em Tupã e radicada em São Paulo, Mari vem construindo há mais de uma década uma obra singular, onde a natureza e a figura feminina se tornam territórios emocionais. Autodidata, ela trocou o mundo das finanças pela arte em 2012 e encontrou no grafite uma liberdade fundamental antes de espalhar seu universo por telas e paredes em mais de sete países.
Suas figuras femininas não são personagens, mas estados de ser, presenças interiores permeadas de introspecção, melancolia e força. Elas carregam uma doçura lúcida, nascida do que foi quebrado, mas transformado. Seu poder nunca é espetacular; é orgânico, contido, habitado. O cerne desta exposição está aí: aprender a se reconstruir sem apagar as falhas, estar inteira mesmo em fragmentos. As pinturas falam de um processo lento, sensível, onde o silêncio se torna matéria viva.

Transformar a emoção em território
. Na obra de Mari, o silêncio nunca é vazio. É refúgio, memória, solo fértil. Os espaços que ela cria são lugares de pausa, entre a presença e a ausência, onde cada um pode depositar sua própria história. O chão de cacos cristaliza essa travessia: uma metáfora da perda, da ruptura e da continuidade, apesar de tudo. Um elemento atravessa toda a série: a ligação entre o corpo, a casa e as plantas. Nada ali é decorativo. Tudo está vivo. O corpo se torna morada, a casa se torna corpo e a natureza age como uma extensão sensível do ser. Seus murais dialogam com a cidade; suas telas sussurram para a alma. Esta exposição fala de uma permanência suave, da possibilidade de florescer após a ruptura. Na Galeria Alma da Rua, essas obras não decoram as paredes: elas respiram com elas.

Suas figuras femininas exalam uma doçura lúcida, com uma força orgânica, contida e cheia de vida.

Tito Bertolucci se destaca como uma figura importante da arte urbana na América Latina. Verdadeiro descobridor de talentos e curador com um olho apurado, ele é o fundador da lendária galeria Alma da Rua, em São Paulo. Colecionador apaixonado, Tito Bertolucci possui hoje a maior coleção de arte urbana do continente: cerca de 2.000 obras, reunidas em seu museu – o primeiro da América Latina inteiramente dedicado a essa arte.

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