Fabianominu, “Raízes”

Quarenta anos depois do surgimento da cultura do hip-hop no Brasil, Fabianominu reaviva uma memória que nunca desapareceu de verdade. Com “Raízes”, o artista paulista mergulha de novo na efervescência dos anos 1980, quando o grafite, a dança, a música e o estilo de se vestir formavam uma única linguagem de emancipação. Entre telas e jaquetas pintadas à mão, essa exposição faz renascer a energia de uma época em que a identidade se afirmava tanto nas paredes quanto nas ruas. No centro do seu trabalho estão os “Smugs”, personagens urbanos que encarnam o espírito dessa geração fundadora. Seus olhares, suas posturas e suas roupas contam a história de uma cultura em que cada detalhe se torna um sinal de pertencimento. As letras em cores vibrantes dialogam com as silhuetas, assim como dialogavam antigamente com os trens e as fachadas, testemunhando uma estética que nasceu nas ruas e foi pensada para ser vista.

O casaco como memória e símbolo de pertencimento
Os casacos têm um lugar especial nessa exposição. Muito mais do que simples objetos, eles se tornam arquivos vivos de uma cultura em constante evolução. Pintados à mão, eles carregam os códigos estéticos e sociais do hip-hop das origens. Para Fabianominu, elas são um verdadeiro cartão de identidade, capazes de contar uma história, falar de uma comunidade e mostrar uma maneira de viver na cidade. Essa abordagem vem diretamente da trajetória do artista. Marcado pela descoberta do filme *Beat Street* em 1984, Fabianominu faz parte da primeira geração de b-boys de Guarulhos e, depois, da estação São Bento, berço do hip-hop paulista. No mítico grupo Fantastic Force, ele cresceu ao lado dos pioneiros que moldaram o imaginário do grafite nas jaquetas, uma herança que ele dá continuidade hoje, sem nunca a congelar. A exposição, porém, não se limita a celebrar o passado. Ela mostra o quanto essas raízes continuam alimentando o presente. Ao retomar a arte de pintar jaquetas a partir de 2015 e participar da renovação dos encontros de São Bento, Fabianominu insere essa memória em uma continuidade onde transmissão e criação avançam juntas. Com “Raízes”, a nostalgia se torna um ato de preservação. Cada obra lembra que as origens do hip-hop não estão apenas numa estética, mas numa forma de afirmar a própria identidade e ocupar o espaço público. Fabianominu, assim, dá vida a uma história coletiva cujas cores continuam a atravessar as gerações.


Tito Bertolucci se destaca como uma figura importante da arte urbana na América Latina. Um verdadeiro descobridor de talentos e curador com um olho afiado, ele é o criador da mítica galeria Alma da Rua, em São Paulo. Colecionador apaixonado, Tito Bertolucci possui hoje a maior coleção de arte urbana do continente: cerca de 2.000 obras, reunidas em seu museu – o primeiro da América Latina inteiramente dedicado a essa arte.

No centro do trabalho de Fabianominu estão os “Smugs”, personagens urbanos que representam o espírito de uma geração pioneira.

Com seu trabalho, Fabianominu reaviva as raízes do hip-hop paulista.

Ao retomar a arte de pintar em jaquetas, Fabianominu dá continuidade a uma tradição sem nunca a deixar estagnada.

Fabianominu dá vida a uma história coletiva que atravessa as gerações.

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