Mr Wall Festival #2: em Aix-les-Bains, a arte urbana integra e se integra
A “Riviera dos Alpes” está se tornando um ponto de referência do grafite graças ao Mr Wall Festival. Além das apresentações e dos lindos murais, vamos dar uma olhada nesse evento exigente e respeitoso.
Depois de uma primeira edição incrível – e que chamou bastante atenção –, o Mr Wall reuniu, no começo do verão, um time e tanto de artistas – Mode 2, Brusk, RNST & Brice Gelot, Maye, Crey 132, Swalt, Kactus 43, Zeso e o coletivo La Coulure — em torno dos dois coorganizadores, Kamo, o fundador, e Arnaud Locateli, dono do Bar Five Point e parceiro de longa data do M.U.R. de Aix-les-Bains. A cidade, situada entre as montanhas da Saboia e o Lago do Bourget, é conhecida como estância termal e como cidade de patrimônio e história. Mas, em poucos anos, a arte urbana conseguiu encontrar seu espaço, reunindo um público amplo além dos preconceitos e criando um modelo de colaboração regional, como nos explicam Kamo, Isabelle Moreaux-Jouannet, secretária adjunta de cultura, e Delphine Miège, curadora do Museu Faure.
Como a arte urbana chegou a Aix?
Kamo: Há sete anos, sugeri abrir um M.U.R. em Aix, seguindo o modelo criado na rue Oberkampf, em Paris. A ideia era trazer um pouco de renovação para a cidade e quebrar os padrões. Apresentei o projeto para a Isabelle, que topou tentar a experiência. Identificamos os locais possíveis e escolhemos o maior: 18 metros de largura por 5,5 metros de altura [o maior da França, nota do editor]. No ano passado, decidimos ir além com a criação de um festival que permitisse a produção de obras duradouras por toda a cidade.
Isabelle Moreaux-Jouannet: Pra mim, a palavra “cultura” não deveria assustar. Temos que ir ao encontro do maior número possível de pessoas. Quando o Kamo me falou sobre abrir Aix para a arte urbana, que eu conhecia pouco, achei a ideia atraente. Nessa “cidade de patrimônio e história”, não havia muita coisa, além de, como em qualquer lugar, alguns grafites que eram rapidamente apagados pelos serviços municipais. No começo, fiquei surpresa ao ver que cada novo mural do M.U.R. cobria o anterior. Já os do festival são permanentes.
Delphine Miège: Reagi igual à Isabelle. Num museu, a gente preserva, esse é o princípio. Mas o Kamo me explicou que esse lado efêmero faz parte da essência do grafite.
Seja para o M.U.R. ou para o Mr Wall, a escolha dos artistas é super importante…
Kamo: Sou muito exigente nesse ponto: os artistas precisam vir da cultura do grafite e até mesmo do vandalismo, mesmo que tenham evoluído no seu trabalho, entrando em galerias, feiras de arte e museus. Pra mim, é uma questão de fidelidade, autenticidade e credibilidade. Enquanto o termo “Street Art” é um conceito genérico no qual eu não me identifico, o grafite é um movimento de importância incomparável, tanto em amplitude quanto em duração. É uma força imparável. E o nível está subindo. É por isso que não dá pra dar espaço pra mediocridade. O objetivo é fazer essa cultura avançar com a maior qualidade possível.
Isabelle Moreaux-Jouannet: O Kamo sempre teve essa exigência de qualidade. Graças a ele, aprendi a descobrir e a apreciar esses artistas.
Os artistas têm total liberdade, o que é uma das coisas que tornam esse festival tão especial…
Kamo: Eu nunca imponho nada. Como os artistas me dão a honra de participar do festival, não estou aqui para dar ordens a eles. Todo mundo vem pra curtir um momento de convívio, sem brigas de ego. É por isso que tudo corre bem. A única regra: nada de sexo, nada de política, nada de violência. Mas carta branca não quer dizer que o artista não seja capaz de disciplina… e de sutileza pra passar uma mensagem.
Isabelle Moreaux-Jouannet: Eu descobri os murais ao mesmo tempo que o público, sem nenhuma preocupação. A prefeitura confia totalmente no Kamo. Ele é de Aix, conhece muito bem a região. Ele vai passo a passo, tomando cuidado para não ofender a sensibilidade dos moradores.
Como essa crescente presença da arte urbana na cidade foi recebida pelos moradores?
Isabelle Moreaux-Jouannet: O prefeito, Renaud Beretti, que é super culto e apaixonado por arte, não foi difícil de convencer. Ele queria, porém, que os murais não fossem vistos como uma invasão e que os moradores se identificassem com eles. Antes do lançamento do M.U.R., ele quis saber o que os moradores achavam. Hoje, o feedback é muito positivo. Esse movimento artístico toca todo mundo, do caçula até a vovó. Nas redes sociais, as postagens do prefeito sobre as obras de arte urbana são as que recebem mais curtidas. Aliás, embora as primeiras obras tenham sido pintadas em prédios da prefeitura, a gente tá recebendo cada vez mais pedidos de particulares. O Sr. Wall tá dando visibilidade a Aix-les-Bains, que às vezes tem a imagem de uma cidade conservadora.
Tem um diálogo incrível entre a arte urbana e o Museu Faure…
Kamo: Delphine, curadora do museu e responsável pelo departamento de arte e história da cidade, está aqui com a gente. Criar uma conexão com o museu foi algo que surgiu naturalmente.
Delphine Miège: Pouco antes do fechamento do museu em 2024 [atualmente em reforma. Ele vai reabrir daqui a alguns meses com o nome de La Villa – Coleção de Artes, nota do editor], colocamos lado a lado um bronze de Degas e uma pintura de Jace. Para a reabertura, já planejamos exposições conjuntas e incluímos em nossas coleções as primeiras obras de arte urbana, seguindo as recomendações do Kamo, cuja visão, propostas e rede de contatos nos deixaram totalmente tranquilos. Com ele, apostamos na fusão dos públicos: os fãs de Arte Urbana vão se sentir à vontade pra entrar num museu; os amantes da arte mais convencional [o museu possui uma coleção impressionante de pintores do século XIX e a segunda maior coleção da França de obras de Rodin, nota do editor] vão se interessar por um movimento que conhecem pouco. Temos certeza de que o museu tem muito a ganhar em número de visitantes e a cidade, em visibilidade.
Isabelle Moreaux-Jouannet: Queremos que os murais pintados na cidade por ocasião do festival e de suas próximas edições criem um verdadeiro percurso do centro até o museu, que fica nas alturas. Além disso, a cidade reservou um orçamento pra adquirir obras urbanas que vão entrar nas coleções.
Kamo: Aliás, eu convidei a Mode 2 pra participar da curadoria de uma coleção pro museu. Integrar instituições exige, de fato, uma reflexão séria e um trabalho minucioso a longo prazo, pois não dá pra errar na escolha dos artistas e das obras.

Modo 2
O que te levou a participar dessa edição do Mr Wall?
O Kamo falou pro Jace, com quem tava hospedado na Ilha da Reunião, que queria me convidar pro festival. O Jace me ligou e tudo rolou bem tranquilo. Gostei da visão do Kamo.
Por que você escolheu essa parede?
Em vez de uma parede monumental que a gente olha levantando a cabeça, eu queria pintar uma parede baixa que a gente descobre enquanto caminha, pra uma leitura horizontal, como a gente lê um livro. Essa abordagem me leva de volta às origens do grafite ilegal, principalmente no metrô, mas também em certas paredes. Naquela época, raramente pintávamos acima de três metros! O muro de cercamento dessa escola era, portanto, ideal, ainda mais por ser um local de educação. Sempre dou preferência a espaços ligados à juventude – escolas, centros esportivos ou culturais… –, que recebem novas gerações a cada ano. São lugares de troca onde podemos contar nossa história e transmitir nossa cultura. Eu também queria que o mural ficasse na altura das crianças, num equilíbrio entre a visão de longe e a descoberta de perto.
No seu mural, por que você combinou letras e personagens?
No início dos anos 2000, os artistas figurativos ganharam destaque. Sem dúvida, foi isso que contribuiu para o crescimento da cultura do grafite entre um público mais amplo. Já as letras continuaram sendo vistas como uma linguagem codificada, muitas vezes interpretada como vandalismo. Eu quis trazer as letras de volta ao primeiro plano porque, sem elas, nada disso existiria. Foram elas que levaram os jovens de Nova York a subir nos telhados, descer nos túneis, entrar nos saguões dos prédios para escrever seus nomes; uma forma de se expressar e de existir. As letras formam uma linguagem universal e acessível por meio de suas formas e ritmos. Juntei personagens ao redor de “La danse des mots”, uma referência à música de Jean-Baptiste Mondino, pra que o mural fale tanto com as crianças quanto com os adultos. Um mural divertido, através do qual eu te convido a observar, a decifrar junto comigo as letras, mas também a trocar ideias sobre como vocês veem e entendem o mundo ao redor.
Essa interpretação faz parte da experiência?
É justamente isso que dá vida ao jogo. O traço contínuo dá pistas e pode ajudar a decifrar as letras. Também gostaria de fazer com que eles entendessem que, diante de um grafite, podem simplesmente acompanhar o movimento e descobrir sua beleza.
Você dá bastante liberdade de interpretação ao público…
Não quero, de jeito nenhum, ser muito explícito. Enquanto pintava, prestei atenção às reações dos transeuntes e modifiquei alguns detalhes de acordo com isso, como a posição das mãos de uma personagem que “parecia importante”, a silhueta do menino ou ainda o dedo indicador da menina, pra não sugerir nenhuma interpretação específica. Um braço totalmente esticado ou levemente relaxado, um pulso rígido ou mais flexível não contam a mesma história. É importante pra mim nunca impor uma interpretação.
O que você gostaria que a gente lembrasse?
Que, pra falar dessa cultura, é importante encontrar os embaixadores e embaixadoras certos. E só quem já viveu isso de perto conhece os códigos, os valores e a história dela. Uma experiência que dá origem a uma diversidade de linguagens artísticas, a verdadeira riqueza desse cenário.

RNST e Brice Gelot
Como vocês se conheceram?
Brice Gelot: Apesar de nós dois morarmos em Dijon e de eu já conhecer o trabalho do RNST, a gente nunca tinha se encontrado. Foi a programação de uma galeria em Aix-en-Provence que facilitou nosso encontro: ao dar uma olhada nela, a RNST descobriu que eu tinha exposto lá logo antes dela.
RNST: Como curto o trabalho do Brice, entrei em contato com ele para propor uma primeira colaboração. E a gente se deu super bem logo de cara!
Como surgiu sua primeira colaboração?
RNST: Surgiu a partir do retrato “Julianna and Nicole”, cujo universo era bem parecido com o meu. O trabalho fotográfico do Brice, imerso nas ruas, e a força desse retrato me tocam profundamente.
Brice Gelot: Uma foto icônica da minha série “Straight Out the Hood”, que aborda a violência nas ruas de certos bairros problemáticos. Ela mostra duas mulheres de uma gangue de Compton, no sul do condado de Los Angeles. Tirei essa foto durante uma reportagem de imersão para documentar a cultura chicana. A RNST depois a reinterpretou, acrescentando magnólias, uma flor emblemática de Los Angeles.
RNST: Fiz uma serigrafia dela, com 80 exemplares, chamada “Compton Bloom”, uma referência àquela primeira colaboração que rolou na primavera passada. E a galera curtiu. Aí, a gente resolveu levar a experiência pra uma parede. A capacidade do Brice de revelar a fragilidade por trás da dureza da vida das suas modelos me encantou. Você percebe isso no olhar das pessoas que ele fotografa, mesmo que todas vivam em ambientes extremamente violentos. É essa mesma sensibilidade que procuro transmitir no meu trabalho. As duas mulheres de Compton Bloom transmitem uma sensualidade genuína no olhar, mesmo que o dia a dia delas seja marcado por uma violência que a gente não conseguiria suportar.
Brice Gelot: É a normalidade delas; elas nem sabem que vivem à margem da sociedade!
Suas duas práticas parecem se complementar…
RNST: A fotografia nos aproxima, já que muitas vezes construo minhas obras a partir de várias fotos pessoais ou compradas. Trabalhar com as fotos do Brice é algo natural pra mim. O aspecto delas me atrai totalmente; a granulação me obriga a redesenhar certos detalhes, como uma pupila, por exemplo, o que não acontece com imagens lisinhas nas quais eu posso ampliar. É isso que é interessante!
Brice Gelot: Gosto que minhas fotos mantenham uma certa aspereza, que fiquem um pouco cruas, em sintonia com meu trabalho, já que documento o que incomoda para trazer à tona o que a gente prefere deixar de lado ou na sombra. É um trabalho que exige muita preparação, entre seis meses e um ano. É preciso ampliar a rede de contatos, porque as pessoas que eu fotografo têm vidas tão atípicas que é difícil programar qualquer coisa. Por isso, sempre tenho planos B, C ou D. É por isso que passo vários meses imerso na realidade dessas comunidades. Ao compartilhar o dia a dia dessas comunidades, cria-se um vínculo e a confiança vai se estabelecendo. Acabo me tornando invisível, e é aí que as fotos ganham toda a sua força. Tudo depende dessa confiança, do respeito e dos códigos da rua. Nunca se deve cair no voyeurismo.
O que você imaginou para o Sr. Wall?
Brice Gelot: Partimos de uma foto tirada durante uma reportagem no Vietnã. Eu estava acompanhando um membro de uma gangue que me mostrava o bairro dele. Havia crianças brincando na rua. Um deles veio até mim com sua pistola d’água. Como eu já estava com a câmera nas mãos, tirei a foto: em uma delas, a pistola esconde o rosto dele; na outra, ela está um pouco deslocada e deixa aparecer o sorriso do menino. Foi essa segunda foto que a gente escolheu.
RNST: Esse garoto com a pistola me chama a atenção pelo contraste entre a inocência dele e a violência simbólica do brinquedo, que remete às brincadeiras de criança em que a gente diz “bang, bang, você morreu”. Para mim, ela também lembra a música “Bang Bang (My Baby Shot Me Down)”, da Nancy Sinatra. Proponho outra interpretação ao adicionar essa menina. Assim, a composição não evoca mais uma história de amor, mas sim uma história de rua, onde o “bang bang” se torna realidade.

Crey 132
Você fez esse mural em apenas quatro dias. Como é que a gente lida com uma parede desse tamanho?
Uma parede com cerca de 18 metros de comprimento por 5,50 metros exige, sem dúvida, um ritmo acelerado. Mas eu adoro esse tipo de desafio, que te obriga a ir direto ao essencial sem abrir mão da história que a gente quer contar.
Aliás, que história ela conta?
Adoro pintar animais, mas eles nunca são só um tema qualquer. Minhas obras geralmente surgem de experiências que vivi. Por exemplo, numa viagem ao Quênia, pude observar uma chita ensinando seus cinco filhotes a caçar. Vi nisso uma forma de transmitir e preservar um conhecimento. Por outro lado, muitas vezes tenho a sensação de que o ser humano, por sua vez, não aprende nada, que esquece as lições do passado e, às vezes, até tenta apagar seus vestígios. Uma verdadeira lição que tive vontade de reinterpretar nesta parede. Assim, essa cena vai além da simples representação de um animal. Ela fala de educação, de memória, mas também da nossa relação com a vida. Uma maneira de refletirmos sobre o impacto do homem na biodiversidade, sobre a importância do que a natureza pode nos ensinar e sobre o papel que o passado deveria desempenhar para iluminar o futuro.
Por que criar uma cena?
Um animal sozinho é só um tema; vários animais permitem construir uma narrativa. Mais do que um simples retrato de animal, o que me interessa é compor uma cena que conte uma história. Aqui, cada animal encontra seu lugar; cada um assume uma postura diferente: um parece agressivo, outro mais sereno; alguns parecem protetores, outros observadores, outros ainda desafiam quem está vendo… É essa dimensão narrativa que procuro: ela permite que você imagine o que está acontecendo.
O realismo dos animais contrasta com um fundo de grafite…
O grafite continua sendo o centro da minha arte. Às vezes, incluo tags nos meus temas; outras vezes, separo-os. Para esse mural, considerando o tempo que eu tinha, criei um fundo gráfico, uma base sobre a qual pintei os guepardos de forma realista. Trabalhei principalmente com tinta em lata. Só as grandes áreas lisas de laranja e roxo do fundo foram feitas com tinta acrílica pra conseguir superfícies uniformes.
Que lembrança você guarda dessa edição do Mr Wall?
Esse festival tem uma vibe especial. Conversando com a Kamo, percebi que isso refletia a maneira como ela trabalha: com paixão, simplicidade e muita gentileza. Isso é raro e merece ser destacado. Aliás, o clima entre os artistas foi excepcional.

Maye
O que te convenceu a participar dessa edição do Mr Wall?
Eu participo muito menos de festivais do que antes, porque dedico bastante tempo à minha família. Não quero que um dia meus filhos possam dizer: “O papai é famoso, mas a gente não o conhece”. Mas quando o Kamo me procurou, tive vontade de entrar nessa. A abordagem dele me conquistou: tudo rolou com muita simplicidade, paixão e sinceridade. Também curti muito os momentos de encontro e troca com os outros artistas.
O que você decidiu fazer?
Quando o Kamo me mandou a foto e as medidas da parede, pensei em pintar uma figura grande, como costumo fazer. Mas, quando cheguei lá, a presença de uma escola, de uma creche e do centro de jovens nas proximidades me fez repensar completamente meu projeto. Tive vontade de fazer um mural para as crianças. Para a parte de cima, usei um desenho de um dos meus filhos que me tocou pela espontaneidade dos traços e por aquele efeito de vitral. Decidi ampliá-lo para o tamanho da parede. Já as crianças retratadas na parte de baixo, imaginei-as fazendo esse desenho juntas, pra simbolizar a união. Não dizem que a união faz a força… mesmo que a miséria a divida?
Você dá muita importância ao lugar onde trabalha…
Gosto de me adaptar ao ambiente em que pinto. É uma questão de respeito, porque, enquanto o artista volta pra casa assim que o mural fica pronto, os moradores têm que conviver com a obra no dia a dia. Por exemplo, numa vilazinha onde a pedra e as cores naturais dominam, eu adapto minha paleta. Assim, o mural que fiz em Aix-les-Bains foi pensado, antes de tudo, para os moradores!
O diálogo com os moradores é importante pra você?
Sim, porque nunca dá pra esquecer de onde a gente vem. Faço parte da última geração que nunca pensou em viver de grafite. A gente pintava simplesmente por diversão. Ainda hoje, embora eu seja uma pessoa bem discreta na vida, sempre tiro um tempo pra descer da plataforma e bater um papo com quem tá assistindo. É importante pra mim manter essa dimensão humana. Ainda mais porque todos esses encontros me inspiram. Eu levo tudo isso comigo pro ateliê. Uma história, uma conversa, um rosto podem um dia encontrar seu lugar numa obra.
Com que técnica você fez esse mural?
Eu deixei um pouco de lado o spray, principalmente por motivos de saúde. Agora trabalho principalmente com pincel e tinta acrílica. É uma prática mais silenciosa, quase meditativa. Mas o que me convenceu de vez foram as cores. Apesar da imensa variedade oferecida pelos fabricantes de tintas em lata, com a tinta acrílica eu posso montar minha própria paleta, como um cozinheiro que prefere preparar sua própria massa de pizza, mesmo que isso leve tempo.
O que você gostaria que o público lembrasse do seu trabalho?
Que é preciso colocar amor em tudo o que a gente faz! Um pouco como uma vovó que prepara um prato para os netos. O segredo dela não são os ingredientes, mas todo o amor que ela coloca na receita. Esse amor é o que a gente precisa encontrar, seja qual for o projeto.
© IG / G. Plisson – Lightgraff Studio








