“Tous EN100BLE pour l’hôpital”: os artistas em ação  

Enquanto as obras vão surgindo aos poucos, conheça Agathon e OneMizer, dois dos 150 artistas que estão nessa aventura coletiva que o Rudy Kosciuszko começou.

O projeto “Todos EN100BLE para o hospital” entrou numa fase importante: aquela em que o projeto se torna realidade. Nas oficinas, as obras estão ganhando forma, criadas por 150 artistas com diferentes experiências e sensibilidades. Uma etapa invisível, mas essencial, em que a intenção se transforma em ação, em que o compromisso se traduz em imagens. Entre esses artistas, Agathon e OneMizer: dois universos distintos, mas com o mesmo envolvimento. Suas palavras contam o impulso coletivo, a responsabilidade de uma ação pictórica pensada para o hospital e o lugar singular que a arte pode ocupar em uma aventura ao mesmo tempo humana, artística e necessária.

O que te atraiu no projeto?
Agathon:
Apoiar o hospital! Eu pinto cavalos-marinhos em dibond antes de fixá-los na rua com Sikaflex. Há dois anos, criei uma série dedicada – “Viva o hospital”, “Obrigado, hospital”… – que depois colei em quase todos os hospitais de Paris.
OneMizer: Estou cada vez mais desconfiado em relação a projetos de caridade, não por falta de vontade, mas porque às vezes eles são realizados por motivos errados. Não é o caso do “Tous EN100BLE pour l’hôpital”. Com o Rudy, tudo é claro: ele é uma pessoa atípica, sinceramente preocupada. Sua perseverança e alegria de viver me seduziram primeiro; depois, a própria ideia do projeto: fazer viajar, através da arte, pessoas hospitalizadas e profissionais de saúde. Quando ficamos internados no hospital, rapidamente se instala uma sensação de confinamento num ambiente muitas vezes pouco alegre. Com o corpo imobilizado, resta a mente, para a qual a arte oferece uma fuga. Neste projeto, sou apenas uma engrenagem, mas se posso contribuir, mesmo que modestamente, para o seu sucesso, então estou dentro.

Apoiar o hospital tem um significado especial pra você?
Agathon:
Muita gente associa o hospital com medo ou desconforto. Nunca compartilhei desse sentimento. Tenho plena consciência da sorte que é ter esse serviço público. Quando entro num hospital, sinto que estou em boas mãos. É claro que a instituição está passando por dificuldades – basta ir ao pronto-socorro para perceber a dimensão do desastre que se instala por falta de recursos –, e isso me preocupa. Apesar de tudo, o hospital continua sendo para mim um refúgio, quase um casulo. Esse “apego” provavelmente vem da minha história. Eu costumava ir lá para acompanhar amigos e isso nunca me deixou desconfortável. Como muitos, eu tive medo, chorei, mas nunca senti essa apreensão que muitos descrevem. Em novembro de 2024, fui diagnosticada com câncer triplo negativo. Apesar de uma mastectomia, sete meses de quimioterapia, quinze sessões de radioterapia, uma quimioterapia oral particularmente pesada e outras intervenções por vir — uma segunda mastectomia, uma ovariectomia —, estou viva e tranquila por estar sendo tratada. Cada consulta reativa essa certeza de estar acompanhada. É por isso que, quando me falaram do projeto “Tous EN100BLE pour l’hôpital” (Todos EN100BLE pelo hospital), aceitei imediatamente. Criar uma obra para essa causa me ajuda na minha luta contra o câncer, dá sentido a ela. E os meus cavalos-marinhos, que estão do lado de fora – acabei de colar dois novos nas entradas do Instituto Curie, onde sou acompanhada –, vão ser expostos dentro do hospital.
OneMizer: Tendo passado longas temporadas no hospital e vivendo com uma médica, percebo o quanto o hospital precisa, mais do que nunca, de apoio!

O suporte e a superfície em Acrovyn inspiraram você? Apresentaram desafios específicos?
Agathon:
Na verdade, não. Fiquei feliz por trabalhar num “fragmento de hospital”. O Acrovyn é uma superfície lisa, agradável com o acrílico, e adoro o formato quadrado.
OneMizer: Não particularmente, embora eu seja bastante apegado a telas de qualidade. Tecnicamente, o Acrovyn exigiu alguns ajustes: uma base com spray para permitir que o aerógrafo aderisse corretamente – muito melhor do que eu imaginava – e, em seguida, um acabamento com Posca. Mas o que faz a força desse suporte é a sua história: destinado ao lixo, ele ganha aqui uma segunda vida.

O que você escolheu interpretar?
Agathon:
Pintei baboules, personagens que criei há vários anos para simbolizar humores e que também podem lembrar as células do corpo humano. Para o projeto, pintei quatro baboules, cada uma expressando uma emoção de acordo com o que se projeta nelas – alegria, ansiedade, incerteza, reflexão… –, porque, na vida, nunca somos tomados por um único humor, mas por vários ao mesmo tempo. Ao redor delas, adicionei folhas, vegetais, para lembrar a presença do vivo.
OneMizer: Retomei um dos meus temas de referência, reinterpretando o tema de Brouillon de culture: um avião de papel grafitado, já presente em uma tela anterior. Para mim, essa imagem representa a liberdade artística e a viagem mental que a arte pode provocar. Ela também remete ao desenho, à infância, à imaginação, ao sonho, à capacidade de ir mais longe, de se projetar, de embarcar. É por isso que esse motivo se impôs para o hospital: oferecer um outro lugar para aqueles cujo corpo permanece imóvel.

Mais especificamente, como você enfatizou a positividade?
Agathon:
Através das cores, das plantas e da presença dos meus baboules. Também pinto autorretratos bem mais sombrios, meio no estilo Francis Bacon, mas, para o hospital, queria oferecer uma obra positiva, sem deixar de ser sincero. O essencial é que ela permita que os pacientes e os profissionais de saúde possam escapar da realidade.
OneMizer: Sem saber muito bem por quê, esse avião me lembra a música Mistral gagnant, de Renaud. É como uma madeleine de Proust que eu queria compartilhar com os pacientes e profissionais de saúde. Com a ideia subjacente: “Não tenha medo do vazio, é o refúgio daqueles que voam”, uma frase de Raphaël Quenard que me marcou profundamente.

© Xavier Revuelta

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