Claks volta para a escola

Embora não seja raro encomendar afrescos em escolas, o projeto do grafiteiro parisiense realizado no departamento de Gard se destaca pela sua magnitude, duração e pelo envolvimento dos alunos.

Apaixonado por desenho desde criança, Claks, formado pela École des Gobelins em Paris, desenvolveu um estilo pessoal focado em retratos e cenas da vida cotidiana, inspirando-se no mundo real – nos encontros e nas viagens –, mas também no cinema. Embora colabore com marcas e instituições de renome – Netflix, Canal+, Gaumont ou a Federação Francesa de Basquete –, o grafiteiro também trabalha com prefeituras – Enghien-les-Bains, Nîmes, Libourne e vários bairros de Paris – e com escolas, colégios e escolas de ensino médio. «Vindo da cultura hip-hop e criado numa família de professores, faço questão de compartilhar meus conhecimentos com todos os públicos, seja em escolas ou em centros de acolhimento para pessoas com deficiência. Cada intervenção é pensada como um momento de encontro e diálogo em torno da arte. A realização coletiva de um mural em uma instituição se torna uma ferramenta poderosa para reforçar o sentimento de pertencimento, estimular a criatividade individual e desenvolver o bem-estar coletivo. Além do aspecto estético, esses projetos ajudam a criar um ambiente cheio de significado, onde cada um pode deixar sua marca e se reconhecer no espaço comum”, destaca ele.

Um projeto ambicioso…
Nesse contexto, a Claks está atuando desde o ano passado na escola Claude Chappe, em Gallargues-le-Montueux, um município com menos de 4.000 habitantes no departamento de Gard. Tudo começou de forma bastante modesta. “O objetivo era decorar uma parede da entrada e a escadaria da escola com um mural sobre o tema da viagem e do sonho. Como os alunos, os funcionários e os visitantes ficaram entusiasmados, decidimos pintar todos os corredores da escola. Depois de conseguirmos as autorizações, partimos para a ação”, lembra Lucille Chalot, a professora de artes plásticas superengajada. Um grande projeto, já que o prédio, com arquitetura triangular, tem três alas de cerca de cem metros cada! Graças a um financiamento do departamento, a obra começou no ano letivo de 2024-2025 e deve continuar até o ano que vem. Todo ano, o artista passa de dois a três meses na região, com várias sessões por semana: “Já pintamos mais de 600 m² e ainda tem bastante área pela frente”.

… para um trabalho em conjunto
Foram definidas três temáticas – uma por corredor: Ciências, Literatura e História da Arte. A escolha dos temas foi resultado de uma reflexão conjunta. “Para o corredor literário, optamos pelo universo dos contos: Chapeuzinho Vermelho, As Fábulas de La Fontaine, Alice no País das Maravilhas”. Antes da realização, os alunos foram chamados a contribuir. “Criamos um drive compartilhado no qual os alunos e eu trocamos ideias de temas, definimos esboços…”, explica Claks, com o objetivo de envolver os alunos. “Os retratos são domínio exclusivo do artista, mas as diferentes turmas se revezam para trabalhar com ele. Assim, os jovens participam da criação. É também uma oportunidade de se familiarizarem com as diferentes técnicas pictóricas, pintura, spray, estêncil…”, explica Lucille Chalot. Essa abordagem vai, portanto, muito além do mero embelezamento. “Na idade deles, eu odiava a escola! Não devo ser o único [risos]… Por meio de uma atividade como essa, os alunos podem realmente se apropriar da escola”, afirma Claks. O que uma delas confirma: “Quando entramos no ensino fundamental, tudo estava vazio e um pouco triste. Fomos evoluindo à medida que as paredes foram se enchendo. E quando sairmos da escola, teremos deixado nossas marcas”. Uma bela definição de arte urbana!

Confere
Claks:
claks.art
Instagram: @claks_one

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