Grégory Slinn em todas as frentes com a Urbaneez

Criar uma ponte entre os artistas menos conhecidos e colecionadores de todo o mundo, e oferecer maior visibilidade a um cenário efervescente, mas muitas vezes esquecido pelos circuitos tradicionais: esse é o objetivo desse ator inovador no mercado de arte.

Depois de mais de dez anos trabalhando no mundo da mídia para marcas internacionais, Grégory Slinn largou tudo para se dedicar à sua paixão, a Arte Urbana, que o acompanha desde a adolescência. Cansado de ver que são sempre os mesmos nomes que aparecem nas galerias, feiras e plataformas existentes, ele criou uma vitrine para destacar artistas supertalentosos, muitas vezes muito ativos nas redes sociais, mas que até então tinham uma presença limitada no mercado. Embora tenha se mudado para a Suíça por motivos pessoais, Grégory Slinn aproveita a localização central e a imagem de confiança que o país tem entre os colecionadores para expandir seus negócios por toda a Europa, com destaque para a França, o Benelux, o Reino Unido e, mais recentemente, os Estados Unidos.

Galeria online, agência de eventos e até mesmo mídia… Como você descreveria a Urbaneez?
Mais do que uma galeria, a Urbaneez sempre teve como missão promover a Arte Urbana. É uma plataforma que permite aos artistas apresentarem seu universo e venderem suas obras ou serviços. No centro dessa proposta, temos peças originais que saem diretamente dos ateliês, mas também conteúdos – principalmente entrevistas com artistas – que buscam educar o público sobre as diferentes facetas do movimento e criar oportunidades com feiras, marcas e instituições para diversificar as colaborações. Assim, como o skate está tradicionalmente ligado às culturas urbanas, já lançamos duas coleções sobre esse tema e você sempre pode encontrar pranchas pintadas à mão nas nossas exposições: um verdadeiro elemento cenográfico!

Um modelo inovador em relação aos atores tradicionais do mercado…
Em 2018, enquanto eu cuidava do planejamento de campanhas publicitárias para grandes marcas, percebi que o mundo do luxo já estava bem estabelecido nos canais digitais, enquanto o da arte continuava muito tradicionalista. Eu era meio estranho ao universo das galerias, nas quais eu nem ousava entrar. Por isso, quis permitir que qualquer pessoa tivesse acesso, a qualquer hora e em qualquer lugar, a um catálogo especializado e único. Não é mais o amador que vai até a arte, é a arte que vem até ele, assim como a Arte Urbana, que se expõe gratuitamente aos olhos de todos. Embora Urbaneez seja o nome comercial, a empresa se chama, aliás, “Art Meets You” desde o início.

A acessibilidade é, portanto, um dos argumentos que a Urbaneez destaca…
Exatamente! Primeiro, oferecendo uma solução para todos aqueles que não moram nos grandes centros urbanos, onde há uma grande variedade de galerias; depois, em termos de preços. Embora o preço de certas obras de artistas históricos possa ultrapassar os 10.000 €, o nosso valor médio de compra situa-se entre 2.500 € e 3.000 € para as obras em tela, com grandes variações dependendo dos mercados. Muitos colecionadores apreciam as impressões em papel de arte pelo seu custo muito acessível (cerca de 100 € para os preços mais baixos). Essas edições limitadas, especialmente as que são realçadas, permitem que um público amplo se aproxime do trabalho de um artista cobiçado e comece a colecionar. Aliás, damos uma importância especial a esse segmento e, em breve, vamos lançar um subdomínio do Urbaneez dedicado a essa categoria.

Você participa regularmente de feiras e exposições. É importante ter um contato pessoal com os colecionadores?
Embora nossa atividade tenha surgido inicialmente online para contribuir com a digitalização do mercado, hoje ela se apresenta como híbrida. Combinamos a plataforma digital com uma presença física em feiras de qualidade para ir ao encontro dos apaixonados por toda a Europa. Em vez de exposições em locais temporários, as feiras rapidamente se impuseram como um canal de venda privilegiado para ampliar a visibilidade dos artistas com quem colaboramos ativamente. Optamos por destacar uma seleção reduzida – no máximo dois, três ou quatro artistas –, adaptada a cada mercado. Assim, para a Lille Art Up [de 12 a 15 de março de 2026, NDLR], apresentaremos Graffmatr, Céz Art e Dave Baranes.

A Urbaneez trabalha com um elenco bem grande, com mais de 150 artistas. Por que essa escolha?
Para poder apresentar aos fãs uma seleção de artistas profissionais que representem a diversidade do movimento, sempre foi importante para nós desenvolver uma seleção eclética e bem específica, que se diferencie do que se encontra em outros lugares. Cada artista é selecionado por sua singularidade. Os critérios podem variar, mas o objetivo é sempre apresentar um trabalho de estúdio de qualidade, que integre uma identidade forte e uma técnica dominada. A trajetória do artista, sua capacidade de realizar murais ou personalizar todos os tipos de suportes, bem como uma presença consolidada, também são elementos determinantes. Sejam grafiteiros, estêncilistas, colagistas, escultores, pintores ou muralistas… nossos artistas têm em comum o ambiente urbano. A vida também é feita de encontros, especialmente em eventos como feiras, que às vezes aceleram o início de uma nova colaboração.

Desde o lançamento do Urbaneez, como a Arte Urbana tem evoluído?
É legal ver que o movimento continua sua trajetória se reinventando, indo além dos ciclos do mercado para sempre nos surpreender. Alguns artistas crescem e deixam de usar seus pseudônimos, outros vão perdendo visibilidade aos poucos, e novos participantes continuam a dinamizar o interesse pela arte urbana. Como prova disso, alguns colecionadores revendem obras no mercado secundário para adquirir trabalhos de artistas emergentes. O perfil dos compradores se ampliou. Talvez sejam entusiastas mais engajados, pois já seguem os artistas nas redes sociais, descobrem o trabalho deles nas ruas e estão mais inclinados a comprar para enriquecer seu ambiente de vida do que pelo simples investimento financeiro que a aquisição de uma obra de arte pode representar.

Que conselho(s) você daria para alguém que quer começar uma coleção de arte urbana?
A arte urbana é uma forma de arte visual que pode ser apreciada por todos. Do figurativo ao abstrato, passando pela Pop Art e pelo surrealismo, há realmente algo para todos os gostos! O interesse de uma coleção está em variar os estilos, encontrando a obra que mais nos agrada em cada vertente. Para começar, acho que o melhor é não fazer uma escolha puramente racional, mas sim deixar-se guiar pelas emoções e seguir o que te toca no coração. Começa com uma obra pequena que, uma vez colocada na tua casa, certamente vai te dar vontade de adquirir outras!

Confere no
Urbaneez:
urbaneez.art
Instagram: @urbaneez.art

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