Uma ode à natureza assinada por Mahn Kloix

O artista-escalador transformou a fachada da escola Saint-Merri Renard, no 4º distrito de Paris, em um mural poético com uma mensagem forte.

Intitulado Little Girl vs Wild, esse mural de 7 x 14 metros traz a marca de Mahn Kloix em dois aspectos. Primeiro, pelo estilo, com esse trabalho em preto e branco de traços precisos, cheio de sutileza e delicadeza. Depois, pela execução, já que o artista de Marselha, um dos poucos adeptos do trabalho em corda, ficou literalmente suspenso no vazio para realizar essa obra, que representa um desafio humano, técnico e físico ao mesmo tempo.

Como surgiu esse projeto?
Depois de ter feito o The Extra Mile com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) no terraço da École Renard (veja URBAN ARTS #37), tive vontade de voltar a esse lugar incrível com uma obra que pudesse ser vista por todos. Apresentei a ideia de um mural bem poético na fachada do prédio – que fica bem em frente ao Centro Pompidou – ao diretor da escola e aos funcionários da prefeitura, que me deram o aval.

Que mensagem você quer passar?
Essa obra é um pouco diferente dos meus retratos de pessoas marcadas pela vida e engajadas em causas sociais ou políticas. Ela faz parte de uma série que fala sobre nossa relação com o mundo, criando uma desproporção entre o ser humano e a natureza. Essa menina está diante de uma borboleta gigantesca, um ser extremamente frágil que vive por muito pouco tempo, mas que, no entanto, tem todo o seu lugar na Terra ou, pelo menos, deveria ter. Isso ressoa com uma pergunta que guardo dentro de mim: “Estamos falando de humanos vivendo em um planeta ou de um planeta habitado por humanos?”.

Essa pintura representou um desafio técnico?
Não dava para pintar diretamente nessa fachada com 50 painéis de vidro. A única solução era colar adesivos nos painéis de vidro. Então, desenhei a obra em escala sobre uma grade e mandei imprimir painéis autocolantes de 2 x 2 metros na Atelier de la Martre, uma empresa com a qual trabalho há muito tempo. Eu já tinha experimentado esse método na fachada dos escritórios da Médecins du Monde em Marselha, mas não era tão imponente assim.

Como sempre, você escolheu a corda em vez da plataforma suspensa para fazer esse mural…
Essa escolha é ao mesmo tempo pragmática – autonomia, acessibilidade, organização simplificada… – e pessoal: a liberdade que a corda me dá permite uma relação física e sensorial com a obra e com o ambiente. Desde uma primeira fachada em Rillieux-la-Pape, tenho a sorte de contar com o apoio da Petzl, uma marca especializada em equipamentos de escalada, que já me acompanhou em La Vigie, na Corniche Kennedy, em Marselha, e financia este projeto. Tenho à minha disposição o equipamento, a logística e uma equipe: Ivan Muscat, um cordista experiente com quem aprendo muito, e Hugo Pédel, que filma e fotografa. Agradeço a eles e também a Manuel Moreau, responsável pelas parcerias da Petzl.

Com o apoio deles, tu és o único responsável pelo projeto. Não é um fardo muito pesado?
Conceber o projeto, conseguir as autorizações, encontrar financiamento… dá um trabalho enorme, mas é o preço da liberdade, que já não existe nos festivais. Meus temas, considerados muito polêmicos, são frequentemente rejeitados e até mesmo meu estilo incomoda. Já aconteceu de eu não ser convidado porque os organizadores exigem obras coloridas! Prefiro ser autônomo e encontrar meu próprio modelo econômico. Se me pagarem por uma encomenda de afresco ou se eu encontrar um parceiro, ótimo. Caso contrário, paciência, eu me viro com a venda de quadros, desenhos preparatórios dos meus afrescos, litografias e serigrafias. Para Little Girl, aliás, estou pensando em lançar uma série bem pequena, de uma dúzia de exemplares.

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